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Lost e os Nove Desconhecidos
Uma teoria sem misticismo
Fãs de Lost: Esta matéria faz parte de um artigo maior, sobre os Nove Desconhecidos. É bom ler sua INTRODUÇÃO, para melhor compreensão. A teoria a seguir também usa como base o universo expandido de Lost, com informações do Lost Experience, por exemplo. Leigos em Lost: o texto a seguir entrega fatos das 3 primeiras temporadas do seriado. É imperativamente recomendado (na verdade, é ordenado!) que você não ouse estragar as surpresas da série. Se não viu as 3 primeiras temporadas de Lost, pule este capítulo.
Tanto os Nove Desconhecidos quanto Lost possuem uma fachada de misticismo para algo que, talvez, seja pura tecnologia e ciência avançada. Não é surpresa, portanto, que exista uma teoria para o mistério da ilha com base na lenda dos Nove rolando entre os fãs. E, bem... Agora há duas.
O link mais direto entre os Nove e a ilha misteriosa é o "Dharma", isto é, "o único caminho verdadeiro" ou "caminho das verdades mais altas". Por um lado, o objetivo do imperador Ashoka, o fundador dos Nove Desconhecidos, era a difusão dos princípios do Dharma. Por outro, a série Lost nos apresenta o ex-magnata das munições, Alvar Hanso, que fundou a Iniciativa Dharma.
Ashoka e Alvar Hanso têm algumas coisas em comum. Ambos usaram a tecnologia em nome da guerra. Depois, abandonaram a violência para, em seguida, fundar organizações secretas, destinadas a obter conhecimento científico e a usá-lo para o bem da humanidade. E ambos estão envolvidos com "o único caminho verdadeiro", isto é, o Dharma.
Em Lost o termo "Dharma" também é uma sigla, e aliás muito instigante: o seu significado é Department of Heuristics And Research on Material Applications, isto é, Departamento de Heurística e Pesquisa em Aplicações Materiais. Dois termos se destacam: "heurística" é o ato de descobrir coisas novas; e "materiais" obviamente nos remete ao materialismo, e à idéia de que não há nenhum conhecimento místico nos planos.
No seriado, a Iniciativa Dharma foi criada com um propósito específico: alterar a chamada Equação de Valenzetti, cujos valores são os famosos "4 8 15 16 23 42", que representam, cada um, um aspecto do planeta e da vida. Esta equação prediz o tempo que falta para o fim do mundo. Se os valores puderem ser alterados, o mundo será salvo. Coincidência ou não, veja as contas que o especial da Superinteressante sobre Lost publicou:
• Soma: 4+8+15+16+23+42 = 108 (1+0+8 = 9)
• Multiplicação: 4x8x15x16x23x42 = 7418880 (7+4+1+8+8+8+0 = 36; 3+6 = 9)
• Divisão: 4+8+15+16+23+42 divido por 6 = 18 (1+8 = 9)
Sugestivo?
Voltemos à Iniciativa Dharma. Ela financia seis entidades de pesquisa, certamente dedicadas ao objetivo maior de alterar os seis números da equação. E é interessante compará-las com os nove livros da lenda. A hipótese é que, precisando salvar o mundo, a Dharma estaria utilizando as valiosas informações dos Nove Desconhecidos para basear suas pesquisas. Vejamos:
• Iniciativa de Investigação Eletromagnética: está relacionada à anomalia eletromagnética da ilha, situada na estação O Cisne. E a anomalia é causada por um estranho efeito casimir que, em física, é o modo de abrir brechas no espaço-tempo. Os livros sobre gravitação (VI) e luz (VIII), dos Nove, podem ter ajudado na investigação.
• Iniciativa de Previsão Matemática: busca prever tendências e eventos sociais futuros, através de modelos matemáticos. A idéia de que a dinâmica social possa ser captada através de alguma equação exata é estranha, mas está no Livro IX, sobre as "leis que governam a evolução das sociedades".
• Prog. de Desenvolvimento e Prevenção do Bem-estar Global: parece tratar da pesquisa de doenças, especificamente. Pode indicar que, em Lost, as quarentenas fossem pesquisas e os humanos, cobaias.
• Apelo à Saúde Mental: o nome diz tudo, e nos leva ao Livro I, sobre a manipulação das massas "através da compreensão da mente". Em Lost, talvez esteja relacionado ao manicômio de Hurley e Libby. A tática da Dharma seria fingir ajudar pacientes especiais, com fins de pesquisa.
• Projeto de Extensão de Vida: muito sugestivo. É possível que os Nove Desconhecidos não sejam trocados por substitutos ao longo do tempo, mas tenham obtido meios de prolongar a vida (outra vez, Livro II). E em Lost alguns personagens não estão envelhecendo.
As conexões menos absurdas são essas acima.
Bem, hora de pirar de vez: não é apenas a Iniciativa Dharma que possui vínculo com os Nove. Há uma conexão mais profunda da ilha com as civilizações perdidas que, no passado, possuíram tecnologia alienígena. E, como já vimos, os aliens seriam os responsáveis pelas pirâmides em Marte e no Egito, e pelos Nove Desconhecidos de Ashoka. Defender esta tese estapafúrdia será um tour de force da loucura. Divirtam-se!
Já começamos muito mal: até onde vimos, Lost não tem nada a ver com ETs. Em dois raros momentos do seriado, personagens brincam com explicações envolvendo alienígenas. Só que isto parece muito mais uma dica de que nunca veremos seres de outro mundo na trama.
Mas não tão rápido...
Existe um mistério que vai muito além de tudo o que vimos. Refiro-me a duas coisas que não parecem relacionadas à Dharma: a estátua do pé com quatro dedos e a fumaça negra da floresta. Já que estamos atrás de vestígios de alta tecnologia alienígena no passado da ilha, ambos caem como uma luva.
A fumaça negra é, quase certamente, nanotecnologia avançadíssima.
E o pé... ora, o pé tem quatro dedos! Não é humano.
Ambos podem estar ligados à uma civilização antiga: ela teria recebido a fumaça negra como dádiva dos "deuses" e, em devoção, construído a estátua, que representaria um alienígena. Ou este povo poderia ser formado pelos próprios ETs. Seja como for, parece que ele existiu mesmo: a pintura do hatch, segundo alguns, ilustra a tsunami que varreu o povo da ilha, destruiu a estátua e, além disso, trouxe o navio Black Rock para o meio da selva.
O povo não teria sido completamente extinto. As pessoas escutam uns sussurros estranhos na selva, porém sem entender uma palavra. Talvez estejam ouvindo alguma "conversa" de ETs no subsolo que, é claro, não seria em inglês.
Agora que providenciamos os ETs, falta ligá-los ao Egito. E, por ridículo que seja, podemos fazer isso: o contador da escotilha, que retorna ao 108 (por sinal, um múltiplo de 9) sempre que o código é digitado no computador, é nosso link. Assim que o código deixa de ser digitado, o contador passa a mostrar hieróglifos, sem mais nem menos. Sim, foi a Dharma que pôs aquilo lá. Mas eles pesquisaram a ilha antes de instalar-se. Vai saber o que descobriram.
Tenho outro "argumento", campeão de bizarrice, para "sustentar" que a série Lost cedo ou tarde se abrirá para o mundo extraterrestre. É que durante toda a segunda temporada, vemos um quadro da ilha, pendurado na escotilha. Mas ele é sempre mostrado num certo ângulo, onde a lâmpada do teto, em forma de disco voador, paira sobre seu céu. Isto parece uma mensagem subliminar proposital. Talvez não seja o estilo de Lost, mas talvez seja! Veja, por exemplo, esta cena da primeira temporada:
Até aqui, pensávamos que os personagens Boone e Shanon eram irmãos inofensivos, mas logo vimos o affair que rolou entre os dois - e sobretudo o fato de que Boone tinha tesão pela irmã, o que não era recíproco. Dito isso, a imagem acima parece hilariamente adequada como dica. E o mesmo pode se aplicar ao meu "disco voador" no céu da ilha, no quadro:
Ok. Pode rir à vontade. Mas veja:
Por que a ilha apresenta uma anomalia eletromagnética capaz de dobrar o espaço-tempo, enviando um personagem ao passado e, talvez, causando outros distúrbios temporais? A resposta também pode estar com os ETs.
O Universo é muito grande. Não dá pra ir longe só de viajar pelo espaço. Mas, como sabem os físicos, é possível chegar em qualquer lugar sem precisar cruzar a distância até lá. E o truque é o já citado efeito casimir. Ele cria um túnel na quarta dimensão, capaz de atingir qualquer ponto do universo. Se ETs nos visitam, é assim que eles fazem.
Detalhe: o efeito casimir é obtido através da força eletromagnética. E quanto mais força, maior o túnel. Nós, míseros humanos, só conseguimos criar túneis do tamanho de átomos. Os ETs, é claro, são mais avançados. E se eles criaram um túnel apontando para a Terra, ele desembocava justamente na ilha.
Ergo: anomalia eletromagnética explicada!
*****
A teoria "Nove/Lost", então, fica assim: os aliens que puseram pirâmides em Marte e no Egito, e forneceram tecnologia para povos antigos, chegaram à Terra através de um túnel dimensional, que saía na ilha - e deixaram todos os vestígios que há nela (fumaça negra, anomalia eletromagnética, o pé de quatro dedos, etc). Milênios depois, Ashoka encontra tecnologia de povos antigos e funda os Nove Desconhecidos. Estes, atualmente, estão ligados à Iniciativa Dharma. E agora retornam à ilha, o lugar mais propício à alteração de algum dos valores ambientais da Equação de Vallenzeti.
Pronto!
Agora é esperar a série terminar (e ver a magnitude do disparate).
Pra finalizar, deixo a frase atribuída a Alvar Hanso, que sintetiza a idéia básica que vejo por trás de Lost e da lenda dos Nove Desconhecidos:
"Desde o despertar de nossa espécie, o homem foi abençoado com a curiosidade. Nosso mais precioso presente, sem exceção, é o desejo de saber mais - olhar para o que é aceito como verdade e imaginar o que é possível." - Discurso no Conselho de Segurança da ONU, 1967
Esta matéria faz parte de um artigo maior, sobre a Lenda dos Nove Desconhecidos: >> CONTINUAR COM OS NOVE | TEXTO COMPLETO
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