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"Se posso fazer complicado por que vou fazer simples? A grande função do artista é criar problema. Quando
você deixa de criar problemas vira um entretenedor de churrascaria" - Lobão, músico e ideólogo brasileiro

 

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Midiarte | bloco de notas

 

  

 

 

20.05.09

Toca ou não toca Raul?

 

A muito criativa banda de rock Pedra Letícia (de Let's Rock, kkkk) irritou alguns fãs de Raul Seixas com sua música Eu Não Toco Raul, suscitando comentários como: "Banda de filha da p... Se eles não gostam do Raul tem que ter respeito" ou ainda: "O q esses bostas de banda cover do Mamonas Assassinas querem dizer eles num são nada!!!".

 

Como um inveterado admirador de Raul desde os 11 anos de idade, posso dizer que esses fãs estão míopes e com um mau humor crônico. A música do Pedra Letícia tem o perfeito espírito do Maluco Beleza: irreverente, ácida, criativa e, o mais importante, está em pleno acordo com a idéia do próprio Raul de não ser adorado, posto num pedestal. Ele sempre quis que as pessoas tivessem personalidade própria, que pensassem por si. A letra, aliás, é bem explícita sobre isso, como friso após o vídeo abaixo:

 

http://www.youtube.com/watch?v=YSdKBAo5A38

 

Eu Não Toco Raul

(Fabiano Cambota)
 

Em todo bar que a gente vai tocar
Tem sempre lá no canto

um cara com a barba por fazer
E a camiseta com a cara do Chê,
Um buraquinho nela onde havia a estrelinha do PT


A namorada dele você vê:
Botinha indiana, coturno, bermuda saint-tropez
Pede um papelzinho pra escrever
Tira uma caneta de dentro da bolsa de crochê
 

Rabisca um guardanapo com a bic azul
Escreve um bilhetinho assim: "Toca Raul!"

Eu não toco Raul
'cês me desculpem...
Eu acredito quando você diz que ele é legal
Eu não toco Raul
'cês não me culpem
Minha banda preza pelo estilo Sidney Magal


E aquele alquimista nada a ver
Viagens num diário de um mago, mais falso que um Menudo
Essa
idolatria por Raul

parece aquela velha opinião formada sobre tudo

 

Não adianta implorar pro seu guru
Não adianta esbravejar: "Toca Raul!"

Eu não toco Raul
'cês me desculpem..
Eu acredito quando você diz que ele é legal
Mas eu não toco Raul
'cês não me culpem
A banda preza pelo estilo Sidney Magal

Mas quando eu virar um astro,
Com a minha guitarra e uma prancha do lado,
Eu quero ouvir você gritar num bar:

Toca Pedra Letícia!
 

Ainda tiram sarro do Paulo Coelho, depois de admitirem que Raul é legal! Só posso assinar em baixo da letra! =)

 

Já Zeca Baleiro, ainda concordando que os fãs são chatos, fez a homenagem a Raul à sua maneira simpática:

 

http://www.youtube.com/watch?v=_-QFowe174k

 

Toca Raul

(Zeca Baleiro)

 

Mal eu subo no palco
um mala, um maluco já grita de lá
- Toca Raul!
A vontade que me dá é de mandar
O cara tomar naquele lugar


Mas aí eu paro, penso e reflito:
"Como é poderoso esse Raulzito!"
Puxa vida, esse cara é mesmo um mito...
 

Em todo canto que eu vou
Tem sempre algum grande fã do cara
É quase uma tara


Jovens velhos e crianças
Malucos e caretas
Parece uma seita


Por isso eu paro, penso reflito
"Como é poderoso esse Raulzito!"
Puxa vida, esse cara é mesmo um mito...

Agora toda vez que algum maluco beleza gritar
- Toca Raul!
Eu saco esse ás da manga,
esse coelho da cartola, essa carta da tanga
Essa balada-quase-rock com pitadas de forró
e nenhum sentimento blue
Pra nunca mais ter que ouvir
Alguém gritar e pedir:
- Toca Raul!

 

Também gostei muito. Quanto aos fãs, alguns sem dúvida são muito chatos, conseguindo se irritar até mesmo com a letra do Zeca aí acima! Mal se pode explicar que sejam fãs do Raul.

 

Mas o importante é que Raul Seixas morreu há vinte anos e está aí, se tornando música. Fato: esse cara é mesmo um mito! =)

 

por Lauro Edison

 

 

27.10.07

Seu Madruga, um herói!

 

O seu Madruga é um ícone e tanto! Não é à-toa que ele começa a aparecer estampado em camisas e avatares do orkut, como se fosse o Che Guevara. Num mundo infestado pelo consumismo e pela busca fútil por status, ele é um símbolo da vida simples e da resistência.

 

Anti-trabalho convicto, ele vai levando sua vida um dia de cada vez, apostando na simplicidade e na camaradagem: seu Barriga simplesmente não consegue expulsá-lo da vila, apesar dos 14 meses de aluguel atrasados. O seu Madruga nunca quis muito mesmo: só precisa jogar seu dominó, ler seu jornal e paquerar as vizinhas como pode. Um hedonista libertário, como toda pessoa sã deveria ser.

 

Nos momentos mais inspirados, é capaz de belas filosofadas como: "a vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena" ou "as pessoas boas devem amar seus inimigos". Mas ele não é só teoria: de fato, apanha de Dona Florinda sem jamais revidar - um idealista exemplar! E ainda possui um coração grandioso: lembram-se de quando ele assume a culpa de ter devorado os churros, que era do Chaves? "Fui eu!".

 

E ainda há uma música, de quando ele sonha ter ganhado na Loteria: "Seu Madruga, o milionário, agora quebrou o galho de toda população! Deu casa pra todo mundo, porque então falou mais fundo o que ele tem no coração".

 

Viva o Seu Madruga!

por Lauro Edison

 

 

30.08.07

A Religião na Música

Ou fora dela!

 

A proeminência sem precedentes que o ateísmo vem conquistando no mundo - na Inglaterra, por exemplo, a maioria das pes-soas já nega a existência de Deus - chegou à música nacional. Enquanto a Som Livre (Globo) tenta vender, desesperada, um obsoleto CD duplo com as músicas religiosas clássicas - "Vamos seguir com fé tudo que ensinou o homem de Nazaré"; "Jesus Cristo eu estou aqui"; "Nossa Senhora, me dê a mão" - a música pop vem abandonando, questionando ou dando alfinetadas na Fé.

 

Raul Seixas foi o pioneiro, sem papas na língua: "Não existe Deus senão o homem". E, devagar, o tema foi se insinuando. Os Engenheiros disseram que "o Céu é só uma promessa". Em 1994, a respeito da morte de um jovem amigo, Gabriel, o Pensador cantava: "Se Deus é justo, então que fez o julgamento?". Pela mesma época, o Pato Fu teorizava: "Quem crê diz que tudo consegue / e em tudo aquilo que cri / eu cri até que desisti / desisti porque não consegui / Se vê que imbecil é a vida".

 

Entre as últimas pérolas, o Pato Fu insiste: "Tá pensando que Deus vai ajudar? Não vai"; "As pessoas têm que acreditar em forças invisíveis pra fazer o bem"; "Quem escreve seu destino não sou Eu". O Skank foi mais direto: "Mil acasos me dizem o que sou: ateu praticante ocidental". Titãs, mais sutis, disseram que a guerra e a destruição causada pelas religiões eram "em nome de um deus que não é o seu, em nome de um deus que não é o meu" e que os terroristas "vão pedir a bênção ao Vaticano, vão mandar o Anjo Exterminador".

 

Lobão recentemente consagrou uma música inteira diretamente contra Deus, a nietzscheana Balada do Inimigo, belíssima: "Quem é você? Nas minhas mãos vazias você assim tão impossível, em vão (...) e o impossível é uma droga poderosa o bastante para se inventar a fé".

 

Haverá salvação para Deus?

 

Como diz o Skank: "nem a dancinha do padre na sua televisão..."

 

por Lauro Edison

 

18.07.07

Os Muitos Problemas de Homem-Aranha 3

 

 

Adianto-me: Homem-Aranha 3 é um filme divertido, com momentos ótimos de humor, ação e drama, que consegue não estragar a franquia e, sem dúvida, nos deixa querendo um quarto filme - que, aliás, chega aos cinemas em 2009. [27.06.08 - Correção: revi o filme, e é péssimo!]

 

Mas desde que o simbionte negro chegou num asteróide que, sem mais nem menos, caiu do lado do Homem-Aranha (!), o filme se tornou o pior da trilogia. E nem precisava: bastava que o simbionte viesse por intermédio do astronauta, filho de J. J. Jameson. Mas não é só: a seqüência dançante no restaurante onde trabalha Mary Jane ficou de lascar; o Homem-Areia, ao contrário de Duende Verde e Octopus, tem uma origem completamente inverossímil; e nunca fica claro se o herói é responsável por suas ações.

 

Fica pior: a desculpa para fazer Harry mudar de atitude é cons-trangedora. E a seqüência onde o Aranha quase morre levando golpes do vilão colossal seria ótima, se o herói não saísse andando em seguida! Imper-doável, contudo, é terem jogado no lixo a preciosa chance de fazer história - na computação gráfica e no drama! - com o brilhante personagem Venom. Ele quase não aparece, é sem graça e tem um destino ridículo.

 

Mas a Mary Jane com ciúmes está ótima =)

por Lauro Edison

 

 

   
 

 

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