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"Se nós não temos a glória de uma guerra / é só porque nós não acreditamos em guerra /

Nós temos o espaço / que é a fronteira final" - Pato Fu, Spaceballs - The Ballad
 

A Lista Negra da Discordância!
 

vamos remar contra a corrente

 
  

 

 

Idealismo | bloco de notas

 

  

 

 

11.06.08

Stephen Hawking e a conquista espacial

 

Foi bom ver Stephen Hawking usar sua fama e influência em nome de uma causa magnífica, mas polêmica. Em 21 de abril último, durante a conferência de 50 anos da NASA, ele encorajou a humanidade a conquistar o espaço.

 

A maioria das pessoas, absurdamente, torce o nariz para tal empreendimento coletivo. Mesmo os leitores esclarecidos da Scientific American votaram, a maior parte, contra o investimento na aventura, em enquete no site da revista.

 

A crítica geral é que se trata de um desperdício de recursos, que há problemas mais graves a serem tratados dentro do planeta.

 

A falta de visão é enorme.

 

Disse Hawking, indo ao X da questão: "Ir ao espaço não vai resolver os problemas que temos na Terra mas vai nos dar uma nova perspectiva e vai nos unir em torno de um desafio comum."

 

A psicologia evolutiva ajuda aqui: o maior problema da humanidade sempre foi a xenofobia, alavancada pela força dos grupos fechados. Nacionalismos ainda são alegremente fomentados em toda parte. Já a globalização, fruto direto da tecnologia, tem nos aproximado, o que é bom.

 

Mas compartilhar em larga escala aquilo que, como espécie, melhor sabemos fazer, isto é, nos aventurar em novos mundos - e por isso Hawking compara nossa situação atual com a época de Colombo - é o que poderá nos trazer a nossa melhor hora: fazer todos sentirem a verdade óbvia, isto é, que a humanidade é o único "grupo" que existe.

 

Quanto ao desperdício, Hawking salienta que só uma pequena parte dos recursos mundiais seria gasta no empreendimento. Muito menos, aliás, do que se gasta em tecnologia de guerra - ponto levantado há muito por Carl Sagan, a maior voz a favor da conquista espacial que já viveu.

 

Esqueçamos nossas origens, que são arbitrárias e sem mérito.

 

A nação da humanidade pode ser a Terra inteira e, depois, o espaço.

Ver mais sobre o discurso de Hawking em RTP Notícias.

por Paralelo

 

 

27.10.07

Lobão e o PMNFE

 

Após a votação do Senado, que absolveu Renan Calheiros, Lobão ficou enfurecido e resolveu, como ele mesmo disse, "botar um gás no Senado". Fundou um partido novo, hilário, satirizando a política e bem sintonizado com os novos tempos:

 

PEIDEI, mas não fui eu.

 

A teoria é a de que "o peido é subjetivo, aleatório" e pode ser praticado impunemente. Ainda segundo Lobão, seria diferente se fosse "CAGUEI, mas não fui eu", pois aí você teria provas concretas contra você! Os políticos de Brasília, é claro, conhecem esta lição: não fazem nada que dê muito na vista. E andam pelo Congresso sempre com a mão (amarela) no bolso.

 

Lobão não queria ir muito longe: apenas visitar Brasília trajado de uma camisa com a frase inusitada e criar um frisson jocoso.

 

Mas sua atitude rendeu simpatizantes como Fernando Gabeira e Caetano, e a moda se alastrou. O PMNFE está crescendo. Lobão fez uma  "versão livre" da música de Chico Buarque, O Que Será? - tornada Quem Será que Peida? A letra nova denuncia os últimos escândalos, do mensalão à crise aérea, dos acidentes de avião à olimpíada. E acrescenta que:

 

"Tem gente me pedindo: relaxa e goza".

 

Ótimo para não deixar as pessoas esquecerem.

 

Entrevista de Lobão no Jô Soares, lançando o PMNFE e falando do constrangimento que foi estrear a camisa em público (hilário)

 

Baixar a música Quem Será que Peida?

 

Ler a letra de Quem Será que Peida?

 

Visite a comunidade do orkut: PEIDEI, mas não fui eu. 

por Paralelo

 

 

01.09.07

Terrorismo Poético e Subversão

 

"Estamos em Território Inimigo & o Inimigo está em nós". Assim começa o Manual Prático de Delinqüência Juvenil, um livro proibido que não está nas livrarias, só no submundo da internet. O Inimigo em questão é nada mais, nada menos que o onipotente Império Capitalista.

 

O livro narra as ações subversivas de um grupo de cinco jovens de Curitiba, auto nomeados Os Delinqüentes. Um deles, Ari Almeida (pseudônimo), é quem escreveu o livro - originalmente postado em um blog, em partes, ao longo de 2003. O livro é grátis e pode ser copiado e deturpado à vontade.

 

Tem de tudo: ousar comer marmita em plena C&A, provocando a ira dos atenden-tes e da gerência; ocupar os assentos do McDonald's com crianças de rua; quebrar as vidraças da classe alta com mensagens poéticas; entupir de bananas os escapamentos de todos os carros de uma garagem de supermercado; infestar de baratas um salão de beleza chique em horário de pico.

 

O objetivo maior dos Delinqüentes? Inspirar outros a semear o caos por aí!

 

Será tudo verdade? No orkut, recentemente, vi Ari Almeida convocando pessoas para uma mega ação em Recife. Se for tudo mentira, o cara não só escreve bem, como engana melhor ainda. Ele disse à revista Outracoisa que não pretende fornecer provas de nada, pois isto obviamente é fazer o trabalho da polícia. O mais próximo de uma prova que vi está aqui.

 

Seja como for, este "livro proibido" é uma leitura magnífica. Há momentos de cair de rir, outros de pura adrenalina. E, é claro, o inconformismo vivo inunda todas as páginas, deliciosamente. Anti-capitalismo, anti-burguesia, anti-bundamolice. Quer saber? Tomara que seja real. Recomendadíssimo.

 

Para baixar o livro, clique na imagem ou aqui.

 

Para baixar o volume 2, com as ações de 2004, clique aqui.

 

O Blog dos Delinqüentes é: http://www.delinquente.blogger.com.br. Este é o lugar onde foram originalmente publicadas as ações, que depois viraram os subversivos e-books. O blog continua na ativa. 

por Paralelo

 

 

04.08.07

Conversão de Uma Mula

 

Quem precisa de ciência?

 

Para que saber como age a Natureza e compreender

suas funções, sua profundidade, seu sentido?

 

Afinal, somos mulas!

E mulas não precisam entender seu pasto.

 

Tão inútil essa física, essa química,

essa biologia, essa matemática, essa literatura...

 

Para que valorizar o pensamento?

 

Afinal, somos mulas e só queremos pastar!

 

Os poemas foram escritos exclusivamente para que eu não os entendesse,

os poetas são criaturas tão egocêntricas e contraditórias... O quê?

 

Você me chama de egocêntrico por isso?

Não, que equívoco o seu!

 

Eu realmente não consigo enxergar outra razão para isso.

Sou o centro das atenções, tenho um universo inteiro como palco

e Quem criou tudo isso me é Fiel! O quê?

 

Me chama agora de pretensioso?

Não, que equívoco o seu!

 

Como pode ser tão prepotente?

É tão normal e belo e coerente e confortante ser mula!

 

Pastar aproveitando as regalias proporcionadas pelas outras mulas!

Aquelas que dizem entender o que pastam - questionando-o.

Aquelas que formulam uma teoria e conservam no próprio âmago

sua própria de(s)teorização...

 

Ora, vejo que me chama de inútil!

Como pode? Não, que equívoco o seu!

 

Não queremos compreender o como, o porquê e o pra que de nosso pasto.

Afinal, somos mulas e só queremos pastar!

 

Ora, mas que impertinente que és!

Que me diz agora? Que tenho um cérebro? Que posso pensar?

Quer dizer que é para isso que ele serve?

Não só para locomover meu corpo e meu bando?

 

Nossa! Agora vejo sentido no que dizias...

 

Mas que coisa é essa que tens nestes livros?

 

Um espelho? Deixe-me ver!

Como assim? Sou um ser humano? E não uma mula?

Como pude apenas pastar por esse tempo todo?

 

Não, que equívoco o meu!

por Maíra Vasconcelos

 

 

28.07.07

Pan: Cuba e os Atletas Desertores

 

O que está fazendo com que atletas cubanos, ídolos em seu país, sejam capazes de desistir do Pan-Americano no Rio, abandonar de vez suas famílias e correr riscos enormes ao desafiar sua dura pátria e, ainda, ficar ilegalmente no Brasil?

 

A explicação de Fidel Castro é: "A traição por dinheiro é uma das armas pre-feridas dos Estados Unidos para destruir a resistência de Cuba", divulgou para correspondentes estrangeiros em Havana, e continuou: "De antemão já se conhece seu destino final como atletas mercenários em uma sociedade de consumo".

 

Isto parece demasiado paranóico e, de fato, o jogador de handebol Rafael D'Acosta Capote (foto), que abandonou a delegação cubana e foi pro ABC paulista, disse à Globo: "Aqui terei mais oportunidades profissionais que em Cuba". A verdade é que há - pelo menos - dois problemas graves no país: ali não existe profissionalização do atleta, isto é, o esporte amador é uma política oficial; e sair do país é extremamente difícil.

 

Mas centenas de atletas saem de Cuba em cada Pan, e os mais talentosos sempre são tentados por boas ofertas. Mesmo os que não o são, contudo, ainda vêem bons motivos para arriscar tudo e deixar o país. Ao longo dos Pan-Americanos, mais de 80 atletas o fizeram.

 

Talvez isto nos diga algo sobre o tipo de vida que se leva sob o regime totalitário do último país comunista da América.

por Paralelo

 

 

18.07.07

Rolo Compressor Capitalista no Delta do Niger

 

Vilarejo de Finima, ilha Bonny, oprimidos pelas petrolíferasVocê sabe o que es-tá acontecendo no Delta do Níger, Nigéria? Desde que, em 1956, o petróleo foi des-coberto, a febre do ouro ne-gro foi insaciável. Como o governo fatura alto na ven-da do petróleo, não depende dos impostos da população: não constrói, portanto, hos-pitais, rede elétrica, escolas ou saneamento.

 

Acima o contraste entre o império das petrolíferas e o abandono da população. Membros do governo - que lucra 60 bilhões de dólares por ano - compram mansões americanas e seus filhos estudam em Londres, enquanto o povo sobrevive com menos de 1 dólar por dia. Com o povo tão de-sesperado e sua juventude explodindo em violência, os urubus da religião encontram terreno fértil.

 

Uma Igreja propõe o método RAAO: Reze Até Algo Acontecer.

 

E não é só: empresas como Shell e Agip sujaram a paisagem com 7 mil quilômetros de oleodutos, sem qualquer estudo de impacto ambiental. O número de vazamentos no país pode chegar a dez por dia, e sua poluição tem impedido a pesca, único meio de subsistência da população. O petróleo queimado, ainda por cima, causa chuvas ácidas que corroem o teto das choças e causam problemas respiratórios nos habitantes.

 

O escritor Ken Saro-Wiwa conseguiu, em 93, reunir 250 mil pessoas da tribo ogoni, pedindo uma parcela justa dos lucros exorbitantes para a população, bem como responsabilidade ambiental das empresas. O governo militar o enforcou dois anos depois.

 

* A denúncia vem do redator Tom O'Neill, na excelente matéria "A Maldição do Ouro Negro", da National Geographic Brasil, de fevereiro deste ano.

por Paralelo

 

 

 

 

 

 

   
 

 

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